Não sou daqueles que gostam de comentar sobre o co-irmão. Mas o que está acontecendo desde a virada dos vermelhos sobre o Paraná me motivou a digitar algumas linhas.
De fato não acompanhei o tal jogo, apesar de estar torcendo, logicamente, por um triunfo paranaense. Portanto, tenho duas fontes de referências: a imprensa esportiva e os torcedores do rival.
Ao chegar no local de trabalho, me deparei com bandeiras e sorrisos escancarados, coisas que eu já esperava na sequencia da carreata de ontem. Analisando assim friamente o placar (5×1), toda esta festa se justifica.
Mas ao buscar na imprensa as informações sobre a partida constatei que o mundo do futebol não havia virado de cabeça para baixo. Fiquei aliviado. Mais uma vez, a arbitragem foi figura decisiva em favor do time da beira do lago em mais uma das passagens ”épicas” do tal clube, espero que todos lembrem o jogo contra o Nacional na Libertadores 2006.
Mas afora a partida o que quero comentar aqui é um comportamento de torcida, que mesmo na fase ruim que estamos passando me faz sentir orgulho de ser gremista.
Ao conversar com amigos colorados ontem, o que eu ouvia eram frases do tipo: “é brabo, vai ser difícil” ou “mais uma touca pra nos tirar da competição”, “acho que não dá”. Como não me considero tão ingênuo, sei que por trás destes comentários estava o medo de não conseguir a virada que estava sendo trabalhada a semana toda. Ou seja, eram comentários covardes, carregados de medo de passar por mais uma humiliação que foi rotina para estes torcedores durante mais de 20 anos.
Aí começo a lembrar o lugar de uma coisa importante no futebol do Brasil e talvez do mundo. Os donos das façanhas, dos embates épicos e das batalhas somos nós. É incrível como os rivais inconcientemente admitem isso, como se tivessem a obrigação de desconfiar do próprio time nos momentos mais difíceis.
Nós não temos este medo, vamos para a virada mesmo. Antes dos jogos deste tipo fazemos campanhas de “eu acredito”. Não é à toa. Temos referencial na história do clube para buscar esta confiança. Heroísmos deste tipo são constantes na história vitoriosa do Grêmio.
E hoje ouvi de colorados que foi maravilhoso, que a torcida estava demais. Como se isso fosse algo fora de série. Co-irmãos, estamos acostumados com isso. E melhor: o fazemos sem a ajuda dos juizes (geralmente eles estão do outro lado).
Por fim, eu quero deixar aqui registrado que autorizo os torcedores rivais a usarem mais uma vez o nosso modelo. Já copiaram a torcida, perguntaram para os nossos dirigentes como fazer para conquistar o mundo. Então que simplifiquem esta balela toda e digam: “o jogo de ontem foi maravilhoso, pois o inter parecia o GRÊMIO!”
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